Há temas que, de repente, começam a aparecer em todo o lado. Nas conversas entre amigas, nas consultas, nos vídeos de Instagram, nas dúvidas que chegam por mensagem e, claro, nas pesquisas de quem quer perceber melhor antes de decidir.
A toxina botulínica de maior duração é um deles.
Muito se tem falado sobre estas novas formulações que prometem durar mais tempo do que o “botox” tradicional, mas o que é que isso quer realmente dizer? É mais forte? É melhor? Serve para toda a gente? E, talvez a pergunta mais importante, se durar mais e eu não gostar do resultado, também demora mais a passar?
Para responder a isto sem exageros, sem promessas fáceis e sem aquele tom de “milagre estético” que tanto atrapalha, falei com a Dra. Ana Mendes Gomes, médica que me acompanha há anos e em quem confio muito, da Skinboutique.
A Skinboutique é uma das clínicas em que mais confio precisamente pela forma como olha para a medicina estética: com equilíbrio, naturalidade e avaliação individual. No próprio conceito da clínica, a abordagem passa pela beleza, bem-estar, autoestima e valorização individual, com uma equipa médica dedicada à Medicina Estética, Dermatologia e Endocrinologia.
E é exactamente por isso que fazia sentido começar por aqui: antes de se falar em produto, fala-se em critério.
Antes de tudo: “botox” não é o nome de todas as toxinas
No dia a dia, quase toda a gente diz “botox” para falar de toxina botulínica. Mas Botox® é, na verdade, uma marca. Existem várias marcas e formulações de toxina botulínica tipo A, usadas em medicina estética e noutras áreas médicas.
A própria Skinboutique inclui, entre os seus tratamentos de rosto e corpo, a aplicação de Botox®, preenchimentos com ácido hialurónico, harmonização facial, bioestimuladores de colagénio, exossomas e outros procedimentos médicos estéticos.
Mas quando falamos destas novas toxinas de maior duração, não estamos a falar de uma categoria completamente diferente. Estamos a falar de uma evolução dentro do mesmo mecanismo.
O que é, afinal, uma toxina de maior duração?
Segundo a Dra. Ana Mendes Gomes, quando se fala numa “toxina de maior duração”, estamos a falar de formulações mais recentes de toxina botulínica tipo A que, em estudos clínicos, demonstraram um efeito mais prolongado.
Ou seja, o músculo tratado demora mais tempo a recuperar a sua atividade.
Isto não significa que seja uma toxina “mais forte” num sentido agressivo. Significa, sim, que pode ter um efeito potencialmente mais duradouro.
O que distingue esta nova geração do “botox” tradicional?
A diferença está sobretudo na formulação.
Como explica a Dra. Ana Mendes Gomes, as formulações mais recentes distinguem-se pela estrutura molecular, pela estabilização, pela forma como se ligam ao recetor neuromuscular e também pelo perfil de difusão e duração.
Na prática, não é uma revolução total. É uma evolução dentro do mesmo mecanismo.
A ideia não é substituir tudo o que já existe, mas acrescentar mais uma ferramenta ao leque de opções disponíveis.
O que significa “dura mais” na prática?
Quando se diz que uma toxina dura mais, significa que o efeito estético, por exemplo a redução das rugas de expressão, pode manter-se visível durante mais tempo antes de o músculo recuperar totalmente.
Se antes se falava, habitualmente, de uma duração média de 3 a 4 meses, estas novas formulações podem chegar, em alguns casos, aos 5 ou 6 meses.
Alguns estudos clínicos sobre formulações mais recentes, como a daxibotulinumtoxinA, apontam precisamente para uma duração prolongada do efeito em determinadas indicações e contextos clínicos.
Mas há aqui uma palavra muito importante: podem.
Essa duração é igual para toda a gente?
Não. E este é um dos pontos que a Dra. Ana Mendes Gomes faz questão de sublinhar.
A variabilidade entre pessoas é grande. Às vezes, essa diferença individual é até maior do que a diferença entre produtos.
Há pessoas em quem a toxina dura muito bem. Há outras em quem o efeito desaparece mais depressa. E isto pode acontecer com produtos clássicos ou com formulações mais recentes.
O que influencia a duração da toxina botulínica?
A duração não depende apenas do produto.
Segundo a Dra. Ana Mendes Gomes, há vários fatores que podem influenciar o tempo de efeito:
- Metabolismo individual.
- Força muscular, porque uma testa muito ativa não responde da mesma forma que uma testa mais “calma”.
- Dose utilizada.
- Técnica de injeção.
- Hábitos, como exercício físico intenso, que pode acelerar ligeiramente o metabolismo, tabagismo e outros fatores de estilo de vida.
- Histórico de tratamentos prévios, por exemplo utilizações muito frequentes.
Ou seja, duas pessoas podem fazer o mesmo produto, na mesma zona, e ter durações diferentes.
Já existe evidência sólida?
Há estudos clínicos robustos que mostram uma maior duração média em comparação com formulações clássicas, mas, como explica a Dra. Ana Mendes Gomes, ainda estamos numa fase relativamente inicial em termos de experiência no mundo real a longo prazo.
A evidência é promissora, mas ainda está a consolidar-se fora do contexto dos ensaios clínicos.
E isto é importante porque uma coisa é o resultado observado em estudos controlados. Outra é a variabilidade da vida real, com pacientes diferentes, músculos diferentes, técnicas diferentes e expectativas diferentes.
Na prática clínica, já se sente essa diferença?
Em muitos casos, sim. Mas com prudência.
A maioria dos clínicos experientes evita prometer durações fixas. Em vez disso, explica que há potencial para durar mais, mas que não se devem garantir resultados iguais para toda a gente.
E esta honestidade, para mim, é um dos grandes sinais de confiança numa consulta.
Esta nova toxina vai substituir as anteriores?
Provavelmente não.
A Dra. Ana Mendes Gomes é clara: esta nova geração é mais uma ferramenta.
As formulações mais antigas continuam a funcionar muito bem, são previsíveis e têm um histórico de segurança muito longo.
E, em medicina estética, previsibilidade também é uma forma de segurança.
Para quem pode fazer mais sentido?
A escolha deve ser sempre avaliada caso a caso.
Pode ser interessante para quem quer espaçar consultas ou para quem tem uma resposta mais curta às toxinas clássicas.
Mas isto não quer dizer que seja automaticamente a melhor opção para todas as pessoas.
Há situações em que não é uma vantagem?
Sim. Por exemplo, numa primeira aplicação, ou em pessoas que têm receio de um resultado mais prolongado, pode não ser a escolha ideal.
É aqui que entra uma questão muito simples, mas fundamental: se o efeito dura mais, também demora mais a desaparecer.
Primeira vez: faz sentido começar logo por uma toxina de maior duração?
Depende muito do caso e da filosofia do médico.
Segundo a Dra. Ana Mendes Gomes, muitos profissionais preferem começar com formulações clássicas porque são mais previsíveis e ajustáveis.
Outros podem usar formulações mais recentes, mas com doses conservadoras.
Mais uma vez, a resposta não está só no produto. Está na avaliação.
A naturalidade do resultado depende do produto?
O produto tem influência, mas é secundária.
A naturalidade depende sobretudo da avaliação individual, da dose, dos pontos de injeção e da experiência do profissional.
Este é talvez um dos pontos mais importantes de todo o artigo.
Não é a toxina que faz um resultado bonito sozinha. É a forma como é pensada e aplicada.
O planeamento muda?
Não necessariamente.
Mas, segundo a Dra. Ana Mendes Gomes, o tratamento pode exigir ainda mais atenção à avaliação dinâmica e uma estratégia mais conservadora em áreas de risco.
Ou seja, olhar para a cara parada não chega. É preciso perceber como a pessoa mexe a testa, como sorri, como franze, como comunica.
Uma boa aplicação começa antes da seringa.
Quais são as limitações e contraindicações?
As limitações e contraindicações são, no essencial, semelhantes às das outras toxinas botulínicas.
A Dra. Ana Mendes Gomes refere gravidez e amamentação, doenças neuromusculares, infeção no local e hipersensibilidade conhecida.
Como sempre, isto deve ser avaliado em consulta médica.
Que perguntas deves fazer na consulta?
Se estás curiosa sobre toxinas de maior duração, há perguntas que fazem todo o sentido levar para a consulta:
- Que produto recomenda para mim e porquê?
- Qual é a duração esperada no meu caso?
- O que acontece se eu não gostar do resultado?
- Com que frequência terei de repetir?
Estas perguntas não são desconfiança. São consciência.
O conselho mais honesto para quem está curiosa
Não escolhas uma toxina apenas pela promessa de duração.
Escolhe sobretudo o profissional, a avaliação personalizada e a confiança na abordagem.
A toxina é uma ferramenta. Não é o fator mais importante.
E talvez esta seja a maior verdade que a Dra. Ana Mendes Gomes gostava que as pessoas percebessem:
Não existe “a melhor toxina” universal.
Existe a melhor escolha para cada pessoa, naquele momento.
E, acima de tudo, um bom resultado depende muito mais de quem injeta do que do produto em si.
